No Banco da Praça
Crônica de Jumar Adorno tendo como referência o Largo da Republica situado na avenida Marechal Deodoro da Fonseca, Ruy Barbosa Bahia
Não se sabe exatamente quais pessoas
inauguraram a prática de bater papo até altas horas, muitas vezes pela
madrugada afora. Na cidade de Ruy
Barbosa a prática vem bem antes da época em que os “nobres” largavam suas
senhoras ao pé do fogão para esquentar as calçadas do BANEB na Praça Adalberto
Ribeiro Sampaio. Numa época em que todos, por posição ou imposição, eram à
favor dos fidalgos a conversa corria em uma praça, que na época se parecia mais
com um haras, em um tempo em que a rua da Vitória era mais movimentada que a
porta da Loteria em dia de pagamento do Bolsa Família. Para as senhoras da
época era um orgulho dizer que o marido estava discutindo política no banco da
praça, mesmo que esse fosse apenas um pretexto para sair de casa rumo aos Vesúvio’s
ou Bataclãs da vida.
Hoje em dia, com a população muito mais evoluída,
o banco da praça não é apenas lugar de velhos gordos com a regada de fora e
donos de terras e terras improdutivas. O banco da praça hoje é lugar de pardo,
negro, azul, amarelo, homem, mulher, gay (ou o popularmente conhecido viado),
menino, menina, enamorados e de quem mais se achar no direito.
Os encontros agora não são apenas à favor dos
coronéis, é na sua maioria, para atribuir adjetivos à administração publica,
adjetivos criados dos mais diversos pontos de vista. Outra mudança notável é
que os encontros não ocorrem mais apenas nas praças centrais como antigamente. Usando o exemplo da cidade de Ruy Barbosa, a praça
Adalberto Ribeiro Sampaio, que foi transformada de haras à praça de verdade,
mas que ainda tem uma “fonte luminosa” que nunca teve iluminação especial e só
viu água de chuva desde que foi construída, salvo engano, na gestão do Sr.
Walfrido que, diga-se de passagem, sumiu do mapa.
De forma menos polêmica, quero falar do
encontro que ocorre na Praça do Largo da Republica, onde estudantes,
fazendeiros, vendedores, comerciantes, e muitos outros trabalhadores, críticos,
céticos e homens de bem se reúnem para discutir de forma limpa e transparente a
política suja e obscura praticada no Brasil.
Uma turma diferente, de senhores já não tão velhos
como antigamente, resolveu “oficializar” o costume: um após o outro, alguns em
dupla, em trio, vão aos poucos chegando à praça. Formado o quórum mínimo, inicia-se
a sessão. Sem regimento interno, sem presidente, sem mesa diretora: é o
“Senadinho”, versão municipal do Senado Federal, casa onde trabalharam, na
República, entre tantas centenas de brasileiros, alguns honrados e ilustres, como
Rui Barbosa “Águia de Haia” e Otávio Mangabeira, Afonso Arinos de Mello Franco,
Mário Martins, Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto, Arnon de Mello, Juracy
Magalhães, Marcos Freire, Jarbas Gonçalves Passarinho, Josafá Marinho, Paulo
Brossard de Souza Pinto e Paulo Alberto Monteiro de Barros.
Sem salário, sem assessor e sem mordomia. Sem
demagogia, começa variados debates, opiniões, clima absolutamente democrático: alguns
entreveros, passageiros. Efêmeras polêmicas, celeumas rápidos. Apartes bem
fundamentados, ponderados, outros não, passionais.
Assim, mesmo nos tempos das redes
sociais da Internet, o histórico banco da praça ainda continua vivo, como a própria
história. Servindo de espaço para compensar as oportunidades insuficientes. O
que deveria ter sido discutido na sala de aula, o que deveria ter sido dito na
Câmara de Vereadores, na rádio ou no palanque, é abordado de forma coerente,
verdadeira e contextualizada pelos representantes do povo, o próprio povo.
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2 comentários:
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Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Divertida esta crônica. Embora eu não conheça esta cidade nem esta praça acredito que é o máximo.
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